Escalonamento.

em domingo, 4 de julho de 2010

Eu sempre precisei de um lugar pra escrever aquilo que era meu, o que me era mais íntimo, por isso, de certo, sempre tive um blog, ou um caderno, ou os dois (como hoje, por exemplo, tenho três). Mas nunca fiquei muito tempo com o mesmo blog, ou com o mesmo caderno, e eu não sei porque. Então, num desses dias que o tédio me tomou por inteiro e eu me pus a pensar sobre a vida, eu senti vontade de criar outro blog – que não divulgaria a ninguém – só pra escrever meus pensamentos, meus sentimentos mais crus. Sem metáforas, sem rimas, sem versos – ou melhor, sem a obrigação deles (porque, ao que parece, hoje, as pessoas dão atenção ao que você pensa/escrever se for bonito, profundo e bem trabalhado).

Decidi que chamaria “Dying on the Corner”. Mas não o criei. Na mesma linha de pensamento que me veio a ideia de criar o dito cujo, me veio seu final. Eu o abandonaria, claro, como abandonei tanto outros projetos. Mas ainda assim permaneceu a vontade, o desejo. Pra mim a escrita vem assim: como um desejo que não se aquieta enquanto saciado. E eu precisava de um lugar diferente do escrivaminha (onde decidi postar apenas textos ‘trabalhados’), por isso, engoli o desejo e bati o pé. Então, um dia (ontem, especificamente) eu pensei em tudo que poderia vir a falar nesses ‘textos crus’ e… O que são os pensamentos, senão nossas próprias ‘Notas do Autor’? E, bom, o resto é resto.

Em minhas notas, não esperem beleza, profundidade ou sentido. Aliás, não esperem sentido em nada que eu escrevo, porque em muitos textos, somente eu, e eu, vejo sentido. Outras vezes, se me fizer parecer dissertativo, peço que me perdoem, mas meu cérebro já é treinado pra respeitar essa ‘forma’. No mais, não mais.

PS: O título, escalonamento, veio de uma conversa aleatória com uma amiga, sobre um assunto que nos era comum. E eu gostei dele, apesar de não ter vinculo algum com o texto em si. Abaixo, segue um micro-conto que escrevi há algum tempo. Espero que gostem.

almodovar_penelope_sofiasanchez_mauromongiello          Estranho que quando partiram seu coração ao meio, passou a amar dobrado.

Rafael M. Watanabe

3 comentários:

Paula Thais disse...

Como se eu soubesse o que isso significa.

Não faz parte de mim, da minha cabeça, ou dos meus pensamentos. Se bem que, agora que eu li, tá dentro da minha cabeça. Como é possível, algo que não é meu fazer parte de mim? Suas notas me constituem, assim como as notas de tantas outras pessoas.

Escalonamento. É uma palavra que meu professor de matemática usava.

Ágda disse...

Isso é tão banal, amigo.
o Sêmica era pra isso, mas acontece, que no momento em que estamos escrevendo, a sensação é boa... Agora, quanto a postar, vem o receio.
Pelo menos a mim vem.
Afinal, nossos pensamentos são únicos e fortes.
Daí começamos a trabalhar, a cortar, a colocá-los num padrão possível para que mentes externas consigam compreendê-los.
Ao menos comigo é assim.

Luan do Carmo disse...

Engraçado, ou melhor, interessante (essa sim, talvez seja a palavra correta) como até suas notas conseguem transpor algo que meu íntimo sempre desejou falar mas nunca consegui decodificar, então eu calava. Quietava em mim e era isso. Saber que você existe e sempre que põe algum texto é como se traduzisse em palavras o que penso me faz demasiado feliz. Não Rafael, não te invejo de forma alguma, e certamente você o sabe, e se não sabia, fica sabendo a partir de agora. Sim Rafael, o que sinto por você é uma profunda admiração. Nunca me decepciono ao passar por aqui.

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