Menino Sonhador
Quando o menino que sonhava está apaixonado, ninguém entende o que ele sente.
Ele e seu amor não tiveram um começo, mas o Menino Sonhador
ainda pensa no ‘Pra Sempre’.
Rafael M. Watanabe
Quando o menino que sonhava está apaixonado, ninguém entende o que ele sente.
Ele e seu amor não tiveram um começo, mas o Menino Sonhador
ainda pensa no ‘Pra Sempre’.
Rafael M. Watanabe
Se apegava à dor e à tristeza, o Sr. Sofrimento.
Por isso, um dia, cansado dessa vida, foi até a janela:
Pulou, voou e deu de cara no cimento.
Rafael M. Watanabe
Já parou para pensar
Que o dia que vem depois do dia mais quente do verão
Já não é assim tão quente?
Isso é como o segundo tiro que atinge o coração.
É como o segundo pedido de perdão:
Não se sente.
Rafael M. Watanabe
Você me influencia tanto
E eu também te influencio
Tecnicamente – veja bem
Você influencia a si mesmo
E eu não tenho nenhuma utilidade
Nesse ciclo vicioso
De vício por só uma das partes.
Rafael M. Watanabe
Eram duas da manhã, quando acordei com o peso da madrugada. Havia alguma coisa no ar que meus olhos, acostumados a pouca luz do cômodo, não identificaram. Ainda assim, sentia a angústia. Abri os ouvidos. Claro... Meus olhos não podiam ter visto o que me acordara; aquela melancolia que me assaltara o sono era não mais que uma melodia simplória, um choro lamentável que viera de algum canto do mundo e encontrara uma fresta para adentrar o meu.
Tentei retomar o sono, mas meus ouvidos já estavam tomados por aquele som fino, constante, carregado de tristeza, e meus olhos procuravam, erroneamente, o caminho que ele decidira tomar. A luz da lua projetava sombras azuis – em formas de árvores secas – em minha cama, e, ao me pegar olhando-as, percebi que o choramingo melancólico só poderia ter entrado por ali: a janela, aberta. Iria acabar com aquilo.
Foi quando me levantei e apurei meus sentidos que percebi que o choro nem era tão audível assim. Era de um jovem. Pela altura e intensidade, supus que ele devia estar longe, mas, quando cheguei à janela e me pus a observar a rua, constatei que isso era impossível de se saber: ele vinha de todos e de nenhum lugar.
De qualquer maneira, longe ou perto, era frágil. Tão frágil que era claro que bastasse o fechamento da janela e nunca mais voltaria a ouvi-lo. Ele era oscilante, fraco. Incapaz de atravessar uma simples vidraça e voltar a me perturbar. Quando segurei os puxadores de madeira, dei uma última atenção àquela melodia vã, que chegava a ser ridícula, e não me assustei quando me peguei rindo.
Sim, eu ri. Ri daquele ser fraco e deprimente que nem ao menos sabia chorar. Ri porque ele – ao contrario de mim – nunca soubera o que era ser feliz e nunca, em sua vida ínfima, fora amado. Caso contrário, não estaria em qualquer lugar no nada, chorando um choro tosco. Ri de sua ingenuidade ao pensar que, chorando, ficaria melhor; sem saber que – ao acordar, no outro dia, ele sentiria ainda mais dor.
Aquele choro lamentável não era digno, nem ao menos, de pena. Eu fecharia a janela e ele não me incomodaria mais. Ele seria esquecido por mim e continuaria vagando pela escuridão azul da rua a procura de frestas nos mundos de outros. A procura de outras noites para pesar.
Acontece que, quando fechei a janela e voltei para a cama, percebi que ainda podia ouvir o choro reverberando pelas paredes. E me assustei – desesperadamente – quando olhei pelo quarto e constatei que, sozinho, aquele ser que chorava lamentavelmente estava sentado na cama, pedindo socorro a si mesmo, sob o peso da madrugada.
Rafael M. Watanabe
O Primeiro vídeo que fiz para divulgação do Escrivaminha. Já estou com a ideia do segundo, trilha sonora, etc. pronta. Porém preciso de tempo e… recursos.
Rafael M. Watanabe
E surgia no meu horizonte o incógnito sombrio, cabelos curtos, barba inculta, olhar penetrante e uma doce e perigosa maneira de se enturmar. Não demorou até que eu me visse acatado pelos seus breves e raros monossílabos.
Foi mais do que natural. Você surgiu - esquálido e macerado - em minha vida, mudo, neutro; mas logo cresceu monstruosamente em meu conceito, dominando-me, por fim, sem o querer. De pouco em pouco, todo o domínio que, sem cálculo, se derramou à minha volta espalhou a admiração intensa e o respeito absoluto que o tornaram – em pouco tempo – o culpado incondicional de todas minhas divergências e alegrias, conselheiro predileto em todas as decisões.
O senhor surgiu monstruoso, mas autônomo.
O antigo dominador hoje é títere de seu amor, que cresceu passivo, como uma sombra, e se condensou.
E cresceu tanto que se projetou na minha história
Rafael M. Watanabe